sexta-feira, 16 de abril de 2021

Filhotes sem trauma!

Regras para educar filhotes sem traumas

Algumas dicas para receber seu filhote em casa desde os primeiros dias até o momento de introduzi-lo no mundo externo.

Após alguns dias de expectativa, esperando o filhote finalmente chegar na sua casa, como adaptar esse filhotinho ao novo lar?


Ferris
1. Preparando a casa

Antecipar e preparar a casa antes da chegada do cão é muito importante. Escolher o local onde e
le vai ficar no período de adaptação e que, de preferência, já seja o local que ele viverá futuramente na fase adulta. Assim, esse local será o porto seguro do pet. Definir o local de dormir (cama ou casinha), o local de fazer as necessidades e o local de comer e beber água. Para que o impacto de separação da mãe e dos irmãos caninos seja menor, traga algo com o cheiro deles como um pano ou cobertor e coloque na cama dele, para que ele se sinta mais em casa.

2. Primeira noite

Interaja com o filhote no local escolhido para ele viver, assim ele já vai se acostumando ao ambiente e as mudanças. Faça o pet gastar bastante energia antes de dormir para que ele fique bem cansado e a primeira noite seja tranquila. Se chorar, não brigue com ele e nem dê atenção, pois ele precisa entender que ficará momentos sozinhos e vai aos poucos se adaptando à rotina da casa.

3. Tempo de adaptação

No período de adaptação, é importante ter paciência, pois o filhote não conhece as regras da casa e isso ajudará a reduzir a pressão dessa adaptação que leva alguns dias ou até meses.

4. Alimentação

Mantenha a ração que ele comia com a mãe e os irmãos caninos. Quando for fazer a troca por outra, faça de forma gradativa para evitar problemas digestivos. Definir os horários de alimentação, com o respaldo de um médico veterinário, a quantidade de ração e de vezes das porções diárias será melhor de acordo com o porte e a raça do seu cão.

Pulo ou não?
5. Saúde

Consulte um médico veterinário para indicar o cronograma de vacinação, pois a imunização é muito importante para manter o animal saudável. Quando filhotes, os cães têm baixa resistência imunológica, então, até terminar o ciclo de vacinação e o pet estar totalmente imunizado, não é aconselhável levá-lo para o pet shop. Um profissional em comportamento canino pode fazer uma pré-socialização sem colocar o filhote em risco de contrair doenças nessa fase de vacinação.

6. Necessidades básicas

No início vão ocorrer alguns erros por parte do filhote, mas, com o tempo e treinamento correto, tudo irá se ajustando e o resultado virá aos poucos. Escolha um local para ser o “banheiro”, longe da cama e local das refeições. Defina a superfície que será usada para absorver o xixi e coloque um pouco do cheiro dele. Com uma rotina bem definida dos horários da refeição, será bem mais fácil saber o horário que ele irá fazer as necessidades e, então, direcioná-lo até a área escolhida. Alguns xixis são previsíveis, como após a hora de acordar ou quando está brincando e bebendo muita água. Fique atento nesses momentos. Nunca dê broncas, só indique o local para que ele não desenvolva nenhum trauma ou medo de fazer as necessidades.

7. Primeiro banho

Após a liberação do veterinário para dar banho, escolha dias quentes. Muito cuidado com nariz e ouvidos. Seja rápido para evitar estresse. Seque bem com toalhas e secador morno. Esse momento tem que ser prazeroso para o cão, com brincadeiras e carinhos para que ele associe o banho com coisa boa.

Um mundo inteiro
pra conhecer
8. Interpretar corretamente os sinais do seu cão

Preste atenção na linguagem corporal do seu filhote, entenda os níveis de euforia dele. Sempre que necessário, regrida o treino. Espere ele se acalmar e tente novamente, sempre respeitando os limites do cão.

9. Filhote no carro

Logo cedo, é importante acostumar o cão a todos os ambientes que farão parte da vida e da rotina dele. E entrar no carro é uma delas. Como no primeiro banho, coloque ele no carro desligado com tranquilidade e sem pressa, com brinquedos, petisco e carinho, tornando assim, um momento prazeroso para o filhote. Depois que o cão relaxar, ligue o carro e o leve para algum lugar legal para associar a saída de carro com algo bom.

10. Socialização

Existe uma série de experiências necessárias para apresentar ao filhote de maneira saudável e associadas com algo positivo para que ele se acostume. Pessoas estranhas, outros cães, outros animais, barulhos e ruídos, novos cheiros, locais públicos com bastante movimentação de pessoas e tudo mais. Quanto antes socializar o cão a tudo isso, melhor. Essa socialização pode ser feita dentro de uma caixa de transporte enquanto na fase de vacinação. Gradualmente vá intensificando os treinos e os desafios, sempre com a metodologia de criar para o cão um momento prazeroso. Outro aspecto importante na socialização é condicionar o cão a deixar ser tocado, manuseado, penteado, escovado, cortar as unhas, dar a pata e todos os toques possíveis sem maiores traumas.

11. Primeiros passeios

Após uma prévia socialização do filhote numa caixa de transporte e já acostumado com o ambiente externo, ensine-o a andar com coleira dentro de casa. No momento em que ele não tenha mais receio da coleira, prefira horários mais calmos e locais tranquilos para fazer o primeiro passeio e ter contato com a área externa. Deixe-o explorar os novos cheiros e atrativos e, aos poucos, vá ensinando a melhor forma de caminhar, explorar e brincar.

12. Primeiros comandos 

Ensine alguns comandos de obediência ao filhote. Assim como para as crianças, algumas palavras nos ajudam a controlar o ímpeto e a euforia deles. Por meio do adestramento, você amplia a comunicação com o seu filhote. Dessa forma, fortalece os laços, faz com que ele entenda e, melhor, goste dessa interação, porque ela sempre será positiva para ele. 

Tenha um cão educado, tranquilo e calmo!


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

7 formas de acalmar cães muito agitados!

Cães agitados são fáceis de serem reconhecidos, pois não conseguem ficar quietos nem após caminhadas ou atividades físicas. 

Ron Wood
Como controlar um cão com extrema energia física e mental? Como evitar problemas de comportamento, ansiedade e destruição indesejada de objetos?

Para responder a essas questões, é preciso saber que cada cachorro tem uma personalidade diferente.

Independentemente da raça, cada cão é um ser único. Uns mais tranquilos, outros mais agitados, mais tímidos, mais brincalhões, mais bravos ou mais calmos.

É fácil reconhecer quando os cães são mais agitados, pois não conseguem ficar quietos nem por um minuto. Alguns nem dormem durante o dia, o que de certa forma é normal entre a espécie canina. Podem também desenvolver comportamentos destrutivos, de tentativas de fugas, superapego aos tutores, destruição de móveis e objetos indesejáveis ou agressividade sem motivo aparente.


Fisicamente, alguns pontos também merecem atenção, pois pode haver perda de pelo e peso por falta de apetite. Por isso é importante estar sempre atento às condições físicas e mentais de seu amigo.
Meg e Robin


Mas, afinal, que atitudes podem ser tomadas para melhorar esse quadro de agitação em seu pet?

1. Entenda o cão!

Antes de tudo, precisamos detectar o nível de energia do cão. Quando estamos diante de alguma raça específica já podemos ter uma ideia, pois algumas raças são extremamente ativas, caso é o caso de caçadores, farejadores e pastores, por exemplo. Precisamos entender qual a causa dessa agitação, se é da própria natureza do cão ou se causada por problemas de saúde, más condições ambientais ou se o comportamento é reforçado pelos tutores. A partir daí, começamos um trabalho com o animal e conseguimos evitar os problemas de comportamento.

2. Atividades físicas

Na maior parte dos casos, a agitação se dá ao excesso de energia acumulada e não gasta corretamente. Então, aumentar a atividade física com passeios de qualidade, inserir atividades mentais na rotina diária para explorar os potenciais particulares de cada cão, sempre adaptados ao ritmo e porte físico de cada um, pode ajudar, e muito, nesta questão.

Lacan
3. Relaxar o cão

Deixe que o cão cheire e explore novos ambientes como praças, parques, árvores, gramas, postes e tudo o que for novidade para ele, pois é uma forma dele relaxar, receber mensagens que facilitem o reconhecimento dos ambientes e praticar seus instintos gastando sua energia mental.

4. Treinamentos

Em casa ou nos passeios, estimule a capacidade cognitiva com exercícios de obediência. É muito importante ensinar os comandos de obediência e truques. Peça alguns comandos ou truques que ele já saiba como “senta” ou “fica”, evitando, assim, que ele fique ansioso e mostrando, de forma correta e saudável, o que você espera dele. Se ele ainda não reconhece comandos, o ideal é ensiná-lo em 


casa, de forma positiva e tranquila, para que, quando for necessário colocar em prática na rua, seja algo natural e parte da rotina do pet.

5. Entretenimento

Em casa pratique jogos mais tranquilos que mantenham seu pet relaxado. Nesse ponto, o “enriquecimento ambiental” é essencial para desenvolver a inteligência do seu cão. Como o próprio nome já diz, o “enriquecimento ambiental” consiste em deixar o ambiente, em que seu pet vive, mais rico em atividades que desenvolvam sua capacidade mental em resolver questões. Por exemplo, peça um “fica” ao cão e espalhe ração pela casa, no chão, embaixo de tapetes e atrás de portas. Em seguida, libere-o para que ele ache os grãos escondidos. Outras dicas, colocar petiscos dentro de garrafas pet, caixas de papelão, embrulhos de panos, entre outros, para que ele descubra como liberar os alimentos. Cubos de gelo feitos com frutas ou ração também costumam ser uma atividade bem apreciada pelos cães. É muito importante que, sempre que ele estiver praticando essas atividades, ele esteja se sentindo recompensado pelo seu dono. Isso será muito válido para reforçar o comportamento calmo.

Luna

6. Tranquilidade

Nosso comportamento e o meio em que o cachorro vive interferem diretamente no estado emocional dele. Então, além de um ambiente equilibrado, aja tranquilamente, fale com ele sempre em tom de equilíbrio, sem castigos, principalmente quando ele estiver agitado ou demonstrando algum comportamento errado. Carinhos, massagens com toques no cão também promovem momentos de calma e prazer com seu dono.


7. Ajuda profissional 

Muitas vezes não disponibilizamos de tempo, técnicas corretas, habilidades ou paciência para ensinar o cão, procure um adestrador ou profissional em comportamento canino para que ele possa ensinar, executar e manter o seu cão sempre com níveis de energia equilibrados.


sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Quando iniciar o adestramento?

Comece a treinar seu cão na hora certa e tenha um pet muito mais equilibrado! 

Theo
Como é bom ter um filhote em casa! Com aquela carinha de bebê e disposição de sobra, eles fazem a alegria de seus tutores. Mas junto de tudo isso vêm as bagunças e os hábitos ruins. Então, precisamos estar preparados para que a convivência dentro e fora de casa não se torne algo desagradável.

Uma dúvida muito comum é quando começar a adestrar o pet. Tanto faz se são cães de raça ou sem raça definida, o importante é começar o adestramento logo cedo. Aos 50 dias de vida, os animais têm uma capacidade incrível de aprendizado e condicionamento. Adestrando logo, podemos apresentar para os nossos filhotes hábitos bons, para que eles logo aprendam. Nessa fase de aprendizado é importante que os cães tenham mais exemplos legais e comportamentos corretos.


A janela da sociabilização é algo que vai se fechando, e quanto antes apresentarmos ao pequeno odores, sons e lugares diferentes, mais sociável ele se tornará.

Ory

E depois de adulto?

Adestrar mais tarde pode ser mais difícil, pois temos que extinguir
 comportamentos que já estão fixos e trocá-los por outros. Mas é perfeitamente possível ensinar um pet mais velho, ainda que demore um pouco mais pra aprender.

Strela
Quanto antes você chamar um adestrador menos o problema vai se agravar. Ao passar do tempo os cães vão aprendendo coisas novas, sendo a maioria comportamentos indesejável, adestrar um cão em qualquer fase da vida é muito importante.

Os treinamentos são fundamentais para também enriquecer o dia do pet, gastar energia e treinar o cérebro.

Por que adestrar?

Existem vários motivos que podem levar um tutor a querer adestrar seu pet, como agressividade,
fobias, compulsões, necessidades fora do lugar, entre outros.

Bob
Deixar a situação do pet chegar ao extremo, pode-se considerar um dos maiores erros do tutor. Se seu amiguinho está apresentando comportamentos indesejados, não deixa pra chamar um especialista na última hora.

Erros comuns

Um dos erros comuns é quando alguns tutores pensam que pode resolver os problemas comportamentais do seu pet sozinhos. Por trás de todo adestrador existe muito estudo e dedicação, fora a experiência profissional.

Vamos supor que você tenha acabado de adotar um cão adulto. O procedimento é o mesmo de um filhote: quando ele chegar em casa, o ideal é que o adestrador chegue junto com ele. Ao longo dos dias, a timidez vai embora e seu novo amigo mostrará quem realmente é. Proporcionar um ambiente saudável e com um suporte de adaptação sem estresse é muito importante. Falando da adoção adulta, não 
sabemos da história prévia do pet, então, com os olhos treinados do adestrador tem-se uma grande vantagem.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Atenção especial aos cães!!

Cães que exigem uma atenção especial

Situação de pânico

Alguns cães sabem, por exemplo, quando vai chover antes de qualquer ser humano. 


Bob e Raika
Algumas pessoas podem até achar que se trata de um cão vidente, mas não é bem assim. Ele ouve o barulho do trovão quando ainda está bem distante, antes de a gente notar, e já fica em pânico. Ele fica inquieto, chora, fica com o coração disparado e até cava buracos imensos na grama, jogando terra para todos os lados. O mesmo comportamento pode ser percebido em dias de jogos ou comemorações, quando alguns vizinhos costumam soltar fogos.Os cães considerados fóbicos, ou seja, que têm medos exagerados tem algumas reações como estas. É mais comum do que se imagina. Esses animais têm comportamentos exacerbados, demoram a se recuperar mesmo após o fim do estímulo e podem até ter incontinência urinária ou fecal, diarreia e vômito. Também podem fazer associações ao estímulo que causa medo. Estudos recentes também já correlacionam esse medo com dores ortopédicas que tendem a piorar com toda a tensão causada no momento.




Mas por que isso acontece? 

A resposta esta nos sentidos dos cães, são mais apurados do que os nossos. Eles são mais sensíveis: enxergam, escutam e sentem odores de formas diferentes de nós. A audição dos cães é bastante superior à humana, além disso, os sons parecem não ter um padrão de perspectiva canina, o que pode aumentar a ansiedade em relação ao aparecimento desses sons.

São dois os principais motivos para o medo dos ruídos: a socialização deficiente na fase de filhote (momento em que os cães precisam ser socializados de forma adequada para se tornarem adultos equilibrados) ou após experiências traumáticas devido aos sons intensos ou mesmo leves (mas em situações que gerem medo).

Cães com pânicos de fogos e outros barulhos podem latir para os sons, tremer, salivar, andar sem direção ou mesmo permanecer entocados por horas. Nos casos mais graves, eles recusam comida e não respondem aos chamados dos tutores. O medo gera uma resposta emocional com mudanças que têm influência no corpo do animal, esses sinais aparecem diante de situações em que ele se sinta ameaçado. É uma resposta normal e importante, mas pode se tornar fóbica, ou seja, um medo desproporcional em duração ou intensidade, sendo altamente deletéria para o organismo do cão.

A orientação é garantir a segurança dos cães, pois são comuns acidentes com pets que tentam “fugir dos sons” e acabam machucados – há animais que chegam a cruzar janelas de vidros, por exemplo. Por isso fique atento ao seu animal: não o deixe ele sozinho em dias festivos, ou em situações em que podem ocorrer queima de fogos de artifícios ou barulhos muito altos, pois, no momento do pavor, eles podem colocar a própria vida em risco.

Meg e Robin

O tutor deve garantir se no ambiente onde o pet estiver existe a possibilidade de ele se machucar. Atentar-se em relação aos objetos de vidro, sacadas sem proteção, telas antigas e portões. Se o animal já possui trauma relacionado a ruídos, devemos introduzir, aos poucos, cada um desses barulhos, fazendo uma associação com algo bem agradável. O som deve ser introduzido gradativamente, sempre observando se o animal está tranquilo.

Vale ressaltar também que é importante oferecer um ambiente tranquilo e sempre deixar opções de fuga seguras para o animal, ou seja, locais em que ele possa se sentir amparado, como casinhas ou algum ambiente para se proteger.

Além disso, o tratamento com profissionais em comportamento canino será fundamental para dessensibilizar o cão a esses “medos”, bem como diminuir as respostas ansiosas diante dos estímulos assustadores. A terapia que será indicada considerará as particularidades de cada cão. A dissociação para o barulho pode ser feita por meio dos próprios sons, que são facilmente encontrados na internet ou aplicativos. É necessário um tratamento amplo, que inclui treinos com a criação de um ‘porto seguro’ para o cão, relaxamento e, se necessário, o uso de fármacos mediante prescrição veterinária comportamental.

Ansiedade de separação

Cães podem apresentar problemas de comportamento quando ficam muito distantes de seus tutores. E no final do ano isso pode ser mais recorrente, já que muitas pessoas viajam e deixam os animais sozinhos. Trata-se de uma espécie social e gregária, vivem em matilha. Alguns podem desenvolver quadros de ansiedade por separação que levam a comportamentos de estres e desespero, infligindo riscos graves a eles próprios.

Se um pet chega à vida do seu dono em um momento difícil, as chances de criarem um vínculo muito forte são grandes, o ideal é não transferir essa carga emocional para o cão.

A ansiedade é uma resposta emocional que gera mudanças fisiológicas, como o aumento de frequência cardíaca, respiratória e tremores. Também pode causar alterações de comportamento, como a eliminação de urina e fezes em locais inadequados, condutas destrutivas e vocalização excessiva. Esse conjunto de comportamentos alterados pode ter variações, mas no caso de ansiedade de separação ocorre somente na ausência do tutor. Em alguns casos os peludos podem ter comportamentos preocupantes, não comer ou beber quando o tutor não está em casa. Já quando o tutor estiver passar a beber água excessivamente. Isso tudo pode ser resultado de um comportamento compulsivo que o pet adquiriu.

Gaspar
Para tratar esse problema: É indicado investir em um adestrador com habilitação em comportamento canino, pois um bom profissional saberá quais medidas tomar e quais mudanças terão que ser feitas na rotina do tutor e cão. Outro cuidado que os tutores podem ter é o de não incentivar os comportamentos indesejados que reforcem a ansiedade (latidos repentinos, ficar pulando, beliscar com mordidas ou se lamber excessivamente, por exemplo). Lembre-se de não dar atenção para o cão nesses momentos, como: olhar, conversar, dar petiscos ou interagir de alguma forma. Os donos que punem ou brigam repetidamente, acabam incentivando o cachorro a continuarem com os comportamentos ansiosos.

Diagnóstico de problemas comportamentais deve ser passado pela exclusão de problemas médicos. Caso você ache que seu cão apresenta alguns sintomas ou comportamentos estranhos, procure um veterinário antes de qualquer coisa. Estando seu cão isento de problemas médicos, procure um profissional em comportamento canino.

Período maior de separação


Os cães são uma espécie muito social, criam vínculos afetivos com seus donos e compartilham da sua rotina diária. Para eles, tudo que é bom está relacionado com a presença dos donos, como comida, carinho, passeios, entre outros... Por conta dessa observação que eles têm da nossa rotina, eles sabem detalhes e se apegam a eles. Quando viajamos, por exemplo, acontece uma interrupção nessa rotina, fazendo o cão ficar perdido, gerando estresse.

O problema pode ser resolvido antecipadamente quando desde filhote ele tenha experiência em ficar em longo período sozinho sendo cuidado por outra pessoa, ou, seja acostumado e socializado a ficar em hotéis para cães.

Aversão às pessoas desconhecidas

O cão pode ter muito medo de pessoas desconhecidos quando há falta de socialização na fase filhote ou após experiências traumáticas com algum tipo de pessoa. Em muitas situações o problema não é necessariamente as pessoas, mas a mudança repentina de ambiente e rotina ou quando vão para algum hotel sem antes passar pela devida adaptação. Nessas situações o certo é escolher a pessoas que cuidará de seu cão e fazer uma adaptação gradativamente com ele, de modo a aumentar a segurança e confiança do animal. Assim, também é preciso adaptar um cão que chega a uma nova família, adaptá-lo com a nova rotina e se for passar muito tempo sozinho, ele necessita de treinamento para que se sinta seguro. O mesmo acontece com a presença de estranhos na casa, se for muito comum essa presença o cão precisa de treinamento para se acostumar.

Identificar um cão que está com medo não é tão difícil, podemos fazer isso apenas observando a linguagem corporal, orelha baixa, tremor, rabo entre as pernas, mostrar os dentes, se encolher ou se esconder. Se for um filhote, a adaptação deve ser feita o quanto antes, mas se já for adulto o melhor seria fazer com que ele associe momentos dos quais ele teria medo com coisas agradáveis, ou seja, faça com que a situação lhe traga satisfação, tire o foco da situação ruim por outra de prazer. Associe as pessoas estranhas com momentos de brincadeiras.

Luna
Consistência e treinamento é sinônimo de carinho

Vale lembrar que o tipo de tratamento para cada problema é sempre individualizado, não existe uma única fórmula que resolva todos os casos, é preciso de uma análise da rotina da família para que se possam fazer algumas adaptações. O mais importante é manter uma rotina de atividades, repetindo-as diariamente, de modo à perspectiva do ambiente e diminuir o medo e a ansiedade.

Uma observação importante é que o tutor não faça uso de técnicas aversivas, como punições ou broncas, vários problemas podem ser causados por esse tipo de postura.

Quando o dono decide treinar o cão é bom lembrar que deve ser um momento feliz para ambos. Demora um tempo até que cão aprenda quais são os comportamentos aceitáveis. Além disso, na casa em que o cão vive, todos os moradores devem seguir as orientações do treino e fazer igual, o que melhora o desempenho do cão e a relação entre 
todos os indivíduos.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Estudando a “mordida”...

Amigos podem se ver diante de impasses, que ocorrem, geralmente, quando há mal-entendidos. Essa falha na comunicação exige cuidado extra, como uma conversa para resolver o conflito. E quando o melhor amigo é um cachorro? O embaraço pode ser externalizado em mordidas, segundo especialistas em comportamento animal. Por isso, uma equipe de pesquisadores britânicos decidiu estudar a fundo as dentadas a fim de fazer fluir a harmonia entre tutores e pets.

André
Estudo britânico investiga por que os cachorros mordem seus donos, e, segundo os autores, são alguns comportamentos humanos que fazem os animais a reagir de maneira agressiva.


Os investigadores assistiram a vídeos, divulgados na internet, em que pessoas eram mordidas por cães. A intenção era identificar as características que antecederam à reação inesperada do animal, o que, segundo eles, pode ajudar no desenvolvimento de estratégias preventivas. Ao todo, foram analisados 143 vídeos, publicados entre janeiro de 2016 e março de 2017.

“Construímos um sistema de avaliação da severidade das mordidas com base no que podíamos ver nas imagens, considerando o número de mordidas, se o ataque perfurou a pele, se o cachorro balançou a cabeça enquanto mordia e se segurou a pessoa por mais de um segundo. Quanto maior a pontuação, mais grave era a mordida”, detalha Sara Owczarczak-Garstecka, principal autora do estudo e pesquisadora da Universidade de Liverpool.

Em 56 vídeos, os pesquisadores também conseguiram analisar detalhes do comportamento humano e canino que levaram à mordida. “não realizamos análises estatísticas que nos permitissem dizer que o comportamento x causou a violência, mas vimos o que levou à mordida”, pondera Sara Owczarczak-Garstecka.

Três situações foram identificadas: aumento na proximidade do pé ou no ato de se inclinar sobre o cão (aproximadamente 35 segundos antes da mordida), a postura de acariciar o animal (21 segundos antes) e de evitar que ele se movesse (21 segundos antes).

“Essas descobertas poderiam oferecer uma nova visão valiosa para o desenvolvimento de estratégias de prevenção de mordidas. Mensagens de prevenção poderiam enfatizar o risco de se debruçar sobre um cão e simplesmente aconselhar a evitar contato com um cachorro quando possível ou se estiver em dúvida se ele pode atacar”, frisa Sara.

Segundo a pesquisadora, a maioria dos estudos é baseada em evidências identificadas após o ataque, como registros hospitalares e entrevistas com as vítimas. Especialistas em comportamento animal, porém, defendem que o foco se volte também para prevenção, o que resultaria em implicações para a saúde e o bem-estar humano e animal.

“Observando o comportamento do cachorro e do ser humano segundos antes da mordida, acredito que é um alerta para as pessoas que têm total confiança no cachorro e que afirmam que ele nunca morderá um membro da família. Os dados também ajudam a entender que um cachorro não deve ser obrigado a tolerar tudo o que o ser humano lhe quer impor”.

Linguagem corporal

Bali
Também foi avaliado que os dados da pesquisa britânica podem ser úteis para entender o comportamento dos cães e evitar mordidas. Segundo ele, esse é o caminho proposto por treinadores comportamentalistas que não usam métodos aversivos. “Expressões corporais podem ajudar em muito na prevenção de acidentes”.

Todo tutor de um cão deveria buscar aprender a linguagem corporal de seus cachorros. “Mas, infelizmente, como foi constatado na pesquisa, poucas pessoas se atentam a isso. Elas não observam os sinais de estresse que antecipam a mordida ou, em muitos casos, os cães foram tão punidos que aprenderam a ocultar esses sinais.”

Uma análise mais ampliada dos ataques de cães poderia trazer resultados ainda mais úteis. “Como ocorrem mordidas que não são filmadas nem registradas, a pesquisa deveria continuar com perguntas diretas a famílias com cachorros”.

Boa parte das vítimas comete erros na forma como se comportam diante do animal. “Não sabem ler o cachorro e, consequentemente, não percebem que vão ser mordidas. Também há muitos tutores que, por estarem num estado de negação da agressividade do cachorro, facilitam o ataque a outras pessoas”.

Rosnadas

Camilla Sandri, 29 anos, enfrentou o problema em casa, com Theodoro. “Um dia, ele ameaçou me morder, deu uma rosnada.

Outro dia, eu estava fazendo carinho, ele virou a cabeça e me mordeu. Fiquei sem saber o que tinha acontecido. Ele já vinha rosnando havia um mês. Com isso, acabei me afastando, deixando-o mais distante da família”, conta a especialista em marketing.

Sem saber a causa da agressividade do cão, Camilla buscou ajuda de treinadores, que a estão orientando sobre como lidar com Theodoro. “Temos aulas há alguns meses, e eles me ajudaram a identificar o que poderia ter ocasionado essa mordida. Disseram que ele tinha uma agressividade por posse, que ele me mordeu provavelmente porque a vasilha de comida dele estava perto”, diz.

A especialista em marketing mudou a forma de cuidar do seu cachorro e comemora os resultados já atingidos. “Eu tirei a vasilha, comecei a dar comida na mão ou a jogar no chão. Isso melhorou bastante. Agora, ele já está mais próximo da família e não temos mais esse problema de agressividade”, frisa.

Capitu
Análise dos sinais de alerta

Alguns comportamentos antecederam o ataque de cães nos vídeos analisados pelos pesquisadores britânicos, veja quais são as três principais situações que ocorreram mordidas:

35 segundos antes
A vítima aproximou o pé do cachorro ou se inclinou sobre o animal

21 segundos antes
A vítima acariciou o animal

21 segundo antes
A vítima fez algo para evitar que o cachorro se movesse.



Impressionante não!! São situações que aparentemente parecem de carinho ou inofensivas, porém, em determinado momento ou clima podem ser interpretados de outra forma pelo seu cão.